Completo hoje 39ª semanas de gestação.
Isso significa que entro na última semana de gravidez, uma vez que vamos aguardar a boa vontade do Bruno em nascer até no máximo 40 semanas.
Não sei se chegaremos até essa data, não sei nem se finalizo esse dia sem ele nascer. Quanta expectativa! É teste pra cardíaco, já dizia Galvão.
São meus últimos dias (ou horas!) na velha eu. A partir do momento que ele vir ao mundo, nasce uma nova Ana, aquela que eu ainda não faço idéia de como será. Apenas sei que tudo será diferente.
Sinto que estou de fato me despedindo. É um adeus a um mundo que eu sabia lidar, que era conhecido. Quando ele nascer, será um mundo a qual terei que aprender como viver.
Às vezes, me sinto preparada pra essas mudanças. Hoje, por exemplo, estou confiante e tranquila. Outras vezes, bate um medo, quase um pânico, uma sensação de que ainda não era a hora e daí eu penso: o que foi que eu fiz? Socorro!
E assim vai, passam-se as horas e os dias e estou aqui, oscilando entre medo de fazer tudo errado e ansiedade pra tê-lo logo nos braços.
Eu queria tentar resumir a minha gravidez em palavras. Foi uma longa jornada, e pra ser bem sincera, não foi fácil.
Deixo claro que em nenhum momento eu me arrependi ou não quis o meu filho. Eu o quis desde o momento que vi os dois palitinhos no exame de farmácia. Mas quantas vezes desejei que tudo acabasse, que essas 40 semanas chegassem logo?
Admito, reclamei demais. Na maior parte do tempo não curti a gravidez. Me sentia mal com tantas mudanças no corpo, que foram muito piores do que eu imaginava. A vaidade gritou alto sim, mas não foi apenas isso. Perder o controle do seu próprio corpo, talvez isso era o que me deixava mais chateada. Ir paulatinamente me tornando mais vulnerável e dependente dos outros. Sentir tantas dores e incômodos, não saber mais o que é dormir bem ou andar alguns metros sem perder o fôlego. Ataques de fúria, crises de melancolia. Me sentia culpada por me sentir mal. Descontar tudo em potes de sorvete. Chorar, chorar, sem motivo nenhum.
Quantas vezes tive a certeza de que o marido não me amava mais? Ah, o pobre marido. Tentou ser compreensível o máximo que pode, mas por vezes teve que ser rude pra me botar nos eixos. E eu precisei disso também, ser colocada nos eixos.
As coisas ficaram mais fáceis a partir do 7° mês, quando me senti mais tranquila e feliz. Parei um pouco com a rabugice, botei a mão na massa pra organizar o "ninho" e passei a aceitar as mudanças no corpo com mais bom humor.
Gravidez não é fácil ou pelo menos não foi pra mim. Me senti enganada pela cultura da beleza e da plenitude desse momento. Tenho certeza que na próxima será mais tranquilo pois já saberei o que esperar desses nove meses de loucura.
Tirei muitas lições. Vi o pior do ser humano, mas fui também muito amada e protegida.
Passei a me conhecer melhor, conversei muito comigo mesma.
Subi vários degraus na escola da vida.
Me despeço da gravidez e da velha Ana sem olhar pra trás.
Apenas o futuro me interessa.
E que seja bem-vindo.
Aninha