domingo, 4 de dezembro de 2011

Tudo se acaba


Tudo tem um começo, meio e fim. Eis um dos maiores clichês da humanidade.
E ouso utilizar esse jargão batido para escrever o último post deste blog.

Chegamos ao fim. Já tava na hora.

Em algum lugar do passado perdi a vontade de escrever aqui.
Não faz sentido manter qualquer coisa que não te dá prazer, alegria ou algum retorno positivo.

Sou muito boa em fazer faxinas. Não me apego. Junto caixas enormes de coisas, novas com etiqueta ou usadas, e passo pra frente. Jogo fora cartas, cartões, bilhetes, fotos que perderam o valor. Sem crise.

Eu mudei, minha vida mudou e o blog ficou deslocado. Não me enxergo mais aqui.

Este blog chega ao fim somando, desde 22 de setembro de 2005, 357 posts publicados e 1191 comentários. O que de melhor posso tirar desses números foram as pessoas que conheci por meio do blog. Pessoas que moram em outras cidades ou no mesmo bairro. Pessoas que há muito não via e que o blog ajudou a reencontrar. Pessoas que se identificaram comigo ou simplesmente me achavam uma boba engraçada. Teve gente que até se emocionou com minhas histórias. E pessoas que chegaram aqui influenciados negativamente por terceiros e que me deram uma segunda chance. Enxergaram além. Muitas pessoas.

É, valeu a pena.
Apesar de tudo.

Um beijo a todos que me acompanharam e leram os meus textos horrorosos. A gente se vê nas internets.


Aninha


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Me despedindo da gravidez

Completo hoje 39ª semanas de gestação.

Isso significa que entro na última semana de gravidez, uma vez que vamos aguardar a boa vontade do Bruno em nascer até no máximo 40 semanas.

Não sei se chegaremos até essa data, não sei nem se finalizo esse dia sem ele nascer. Quanta expectativa! É teste pra cardíaco, já dizia Galvão.

São meus últimos dias (ou horas!) na velha eu. A partir do momento que ele vir ao mundo, nasce uma nova Ana, aquela que eu ainda não faço idéia de como será. Apenas sei que tudo será diferente. 

Sinto que estou de fato me despedindo. É um adeus a um mundo que eu sabia lidar, que era conhecido. Quando ele nascer, será um mundo a qual terei que aprender como viver. 

Às vezes, me sinto preparada pra essas mudanças. Hoje, por exemplo, estou confiante e tranquila. Outras vezes, bate um medo, quase um pânico, uma sensação de que ainda não era a hora e daí eu penso: o que foi que eu fiz? Socorro!

E assim vai, passam-se as horas e os dias e estou aqui, oscilando entre medo de fazer tudo errado e ansiedade pra tê-lo logo nos braços. 

Eu queria tentar resumir a minha gravidez em palavras. Foi uma longa jornada, e pra ser bem sincera, não foi fácil. 

Deixo claro que em nenhum momento eu me arrependi ou não quis o meu filho. Eu o quis desde o momento que vi os dois palitinhos no exame de farmácia. Mas quantas vezes desejei que tudo acabasse, que essas 40 semanas chegassem logo?

Admito, reclamei demais. Na maior parte do tempo não curti a gravidez. Me sentia mal com tantas mudanças no corpo, que foram muito piores do que eu imaginava. A vaidade gritou alto sim, mas não foi apenas isso. Perder o controle do seu próprio corpo, talvez isso era o que me deixava mais chateada. Ir paulatinamente me tornando mais vulnerável e dependente dos outros. Sentir tantas dores e incômodos, não saber mais o que é dormir bem ou andar alguns metros sem perder o fôlego. Ataques de fúria, crises de melancolia. Me sentia culpada por me sentir mal. Descontar tudo em potes de sorvete. Chorar, chorar, sem motivo nenhum.  

Quantas vezes tive a certeza de que o marido não me amava mais? Ah, o pobre marido. Tentou ser compreensível o máximo que pode, mas por vezes teve que ser rude pra me botar nos eixos. E eu precisei disso também, ser colocada nos eixos. 

As coisas ficaram mais fáceis a partir do 7° mês, quando me senti mais tranquila e feliz. Parei um pouco com a rabugice, botei a mão na massa pra organizar o "ninho" e passei a aceitar as mudanças no corpo com mais bom humor.

Gravidez não é fácil ou pelo menos não foi pra mim. Me senti enganada pela cultura da beleza e da plenitude desse momento. Tenho certeza que na próxima será mais tranquilo pois já saberei o que esperar desses nove meses de loucura. 

Tirei muitas lições. Vi o pior do ser humano, mas fui também muito amada e protegida.
Passei a me conhecer melhor, conversei muito comigo mesma.

Subi vários degraus na escola da vida. 
Me despeço da gravidez e da velha Ana sem olhar pra trás.
Apenas o futuro me interessa.
E que seja bem-vindo.



Aninha




sábado, 29 de outubro de 2011

Sobre o parto


Já falei aqui que desejo muito o parto normal. A principal razão é querer fugir de um pós-operatório chato, dolorido e que vai me impedir de cuidar do Bruno como eu gostaria. Odeio depender dos outros, imagina quando se trata dos afazeres com seu primeiro filho. Além disso, me lembro com bastante clareza como foi horrível o pós-operatório da minha cirurgia das peitcholas, longas duas semanas de sofrimento. Não foi fácil e fiquei um pouco traumatizada.

Eu vi muita coisa estranha nessa minha gravidez. Pessoas tendo reações das mais variadas e mesquinhas. Mas algo que me espantou muito foi ver que o tipo de parto virou rixa entre mulheres. Pois é. É algo que beira o inacreditável, mas existe. Em resumo, se você tem parto normal você é foda; se foi cesárea você é fraca, inferior. Muitas que tiveram parto normal não pensam duas vezes em apontar o dedo e classificar como desnecessária a cirurgia da outra, como se formadas em medicina fossem. Como se conhecessem a fundo as circunstâncias que as levaram até a cesárea. Como se pudessem julgar alguém.

Por isso, deixo bem claro que a minha opção pelo parto normal é, portanto, uma opção pela praticidade, pela rapidez na recuperação, pra poder cuidar melhor do meu filho sem precisar que façam tudo por mim e também por acreditar que o corpo volta ao que era antes mais rápido. E não pra ser melhor que ninguém. Não vou me vangloriar com algo que, em grande parte, depende de condições que fogem do controle da mulher. Não faz o menor sentido, sabe?

Nesse mar de declarações insanas que ouvi e li, nos últimos dias e às vésperas de um parto iminente, me apeguei a uma das coisas mais sábias que me disseram, vindo de uma colega do trabalho: “Carol, apenas peça pra Deus te dar o parto que seja melhor pra você e para o bebê”. E é isso. Quero apenas ter o melhor parto pra mim e para o Bruno. Se for normal, ótimo. Se for cesárea, ok. Não vou me crucificar por isso.

Minha irmã teve o terceiro filho há dois meses e foi seu primeiro parto normal. Teve complicações graves e uma hemorragia séria. E isso também me fez pensar que talvez eu estivesse levando essa questão do parto à ferro e fogo demais. Queria de qualquer jeito. Mas caí em mim a tempo.

A única coisa que realmente desejo muito passar é o trabalho de parto. Quero sentir as dores, as contrações e principalmente, sentir que ele quer nascer e que foi ele que escolheu o melhor momento pra isso. Quero poder virar pro meu marido e falar “amor, chegou a hora”. Ter orgulho de dizer que essa hora certa não foi escolhida por mim, por conveniência. O chamado da natureza, sabe? Almejo muito isso.

Tenho certeza que vai dar tudo certo.
Em poucos dias (ou em poucas horas!) saberei o fim dessa história.
E, independente da maneira que terminará, voltarei aqui pra contar de cabeça em pé.


Aninha

domingo, 23 de outubro de 2011

Esse sentimento (ainda) desconhecido

Depoimento da Mariah Rocha, sobre a maternidade:

"É uma coisa única! Existe o amor e o que você sente pelo seu filho. Não dá para descrever. É mil vezes o infinito"

Já amo, muito. Mas quero que venha logo essa explosão, esse sentimento inenarrável que todos falam, e que só acontece quando você vê a carinha do seu filho.

Estamos quase lá. Essa semana chego aos 9 meses e a expectativa é enorme.

Em breve o mil vezes o infinito estará aqui, no meu colo...


Aninha

domingo, 2 de outubro de 2011

Momento comercial de margarina


Eu estou odiando tirar fotos porque sempre acho que fiquei com cara de empadão, mas essa super disfaçou a papada e o ~belíssimo~ nariz. Adorei que foi realmente espontânea. A fotógrafa responsável: Naná, 8 anos, filha dos nossos grandes amigos Michel e Nanda. Menina linda e já tem futuro na área, vejam como sabiamente cortou meus pés de elefantinho.

34 semanas e 3 dias de gestação. O grande encontro se aproxima.


Aninha

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

8 meses

Chegamos ao oitavo mês!

Engraçado que demorou uma vida pra completar seis meses, e agora parece que o tempo voa. Ainda bem, porque a ansiedade é grande e a disposição cada dia menor.
Já estou na fase de dormir pouco e muito mal. Não existe posição confortável, tudo dói, fico sem ar e faço 453 xixis num intervalo de poucas horas. Estou sofrendo muito com dores no ciático que irradia para a perna inteira e sofro também com o inchaço dos pés.

Ah, como as grávidas são lindas e iluminadas. Não canso de repetir isso.

Não entendo como algumas mulheres tem coragem de casar no meio da gestação. Sério. Não é legal, gente. Desculpaê, mas não custa nada esperar uns meses e pá. Li uma entrevista da Carolina Dieckmann em que ela disse que vai fazer uma nova festa de casamento, porque estava baranga demais quando casou, aos seis meses de gravidez. Achei tão sincero da parte dela, porque existe todo um romantismo exagerado envolvendo a gravidez e um senso comum de grávidas são as mais belas das criaturas. Ter filhos é lindo. Sentir o bebê na barriga é maravilhoso. Mas casar com cara de empadão goiano e peitos quatro números maior que o vestido não dá.

Ok, mesmo com as dores, os incômodos de fim de gestação e o nariz inflado de progesterona, confesso que já sinto saudade da barriga. Jurava que não sentiria isso, mas agora no final fiquei um tanto apegada. Me resta um mês pra curtir o barrigão. Logo será apenas uma lembrança.

É tempo de curtir, muito em breve vou me despedir de todas essas sensações confusas.


Aninha

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Abstinência

O ponto negativo de bloquear facebook, twitter, orkut e ainda abandonar o blog, deixando de dar notícias fresquinhas pra galera é que a cada semana um perfil fake ridículo tenta me adicionar nas redes sociais na vã ilusão de me stalkear.

Chato isso. Abstinência deve ser uma coisa difícil de lidar.

É cada perfil que inventam que cês num acreditam. Eu rio, mas também fico meio preocupada com essa necessidade de ter notícia minha. Sou irresistível?

Um apelo: me deixem em paz, ao menos nesse momento especial. Sou apenas uma grávida que quer ter seu primeiro filho com tranquilidade. Já passei por stress demais nessa gestação. Deu.

Vou fazer como as subcelebridades desse país e pedir que respeitem a minha privacidade (e a minha inteligência, né?).

Agradicida.



Aninha

Querido Diário,

Há dois meses mudei de área na empresa e mudanças consideráveis ocorreram. Na época cheguei até escrever um post pra exaltar a minha pessoa e esfregar na cara da sociedade que, além de linda e esfuziante, sou competente e passei num processo seletivo super criterioso e com louvor. Durma com um barulho desses, você, querida recalcada.

Mas deixei pra lá, mal consigo postar notícias sobre meu pré-natal. Enfim. Mudei de área, de prédio, de andar, de função, de carga horária. Agora trabalho seis horas felizes, o que será importantíssimo quando eu retornar na licença maternidade.

Mas, adivinhem? Nem tudo são flores.
A área nova é extremamente técnica e diferente de tudo que já trabalhei nesses 8 anos de firma. A lista de vocabulários, termos, normas, sistemas, é enorme. Tudo muito novo pra mim, me senti começando em uma nova empresa.

É claro que isso é ótimo para qualquer profissional, afinal, arejar a cabeça com novidades e expandir os horizontes sempre é válido.

O problema é o momento. É o pior momento possível.
Eu simplesmente não tenho cabeça pra nada, nem pros assuntos antigos, quiçá para os novos.

Não consigo me concentrar, focar, aprender. Estou no sétimo mês e minha vida vai mudar completamente em poucas semanas. Difícil pensar em outra coisa.
Complicado não passar o dia listando mentalmente tudo que ainda preciso organizar, comprar, decidir.

Pra entrar no ritmo da área nova eu precisaria me dedicar bastante.
Estudar, ler muito.
O caminho que tenho a percorrer até estar completamente familiarizada com o assunto é razoavelmente longo.

E posso ser honesta? Não tô afim. Não tenho cabeça pra isso agora.
Prometo voltar com sangue no zóio pra alavancar lucros nunca dantes alcançados, mas ó, me deixa não querer aprender nada agora.
Não tá rolando.

Devo ser apedrejada?


Aninha

Lua

Lendo sobre a influência da lua no parto, achei esse texto, e sei lá, bateu uma coisa aqui dentro que nem sei explicar:

"Para mim, o parto é do bebê. Ele quem determina quando vai nascer e como vai nascer. Eu, apenas gestando, só podia ajudar de uma maneira que eu ainda não sabia como. E é assim mesmo que ocorre. Durante o trabalho-de-parto e parto, a mulher se torna introspectiva e vai se tornando cada vez mais biológica, mais instintiva. Não tem como descrever. Realmente só quem passou por isso sabe do que estou dizendo."

A propósito, adoro ler relatos de parto normal, ainda que alguns me metam um puta medo.

Mas cada um tem uma história bem particular, uma vivência pessoal e instranferível.

Resta saber se voltarei aqui para escrever o meu próprio relato.



Aninha

Uma constatação

Meu pré-natal bloguístico foi um fracasso.
Não consegui atualizar e registrar as coisas boas e ruins do meu dia-a-dia de buchuda.
Já desisti, nem inspiração eu tenho, nem mesmo para minhas piadinhas infames.

Estou aqui, aos 7 meses e meio de gestação, gorda como uma paca, com muita dor na lombar, pés de bolota e acordando três vezes na madrugada com a bexiga estourando.

Ainda vou escrever o livro negro da gravidez para alertar moças e mulheres desavisadas.

Né fácil não. Cacilds!


Aninha