Já falei aqui que desejo muito o
parto normal. A principal razão é querer fugir de um pós-operatório chato,
dolorido e que vai me impedir de cuidar do Bruno como eu gostaria. Odeio depender
dos outros, imagina quando se trata dos afazeres com seu primeiro filho. Além
disso, me lembro com bastante clareza como foi horrível o pós-operatório da
minha cirurgia das peitcholas, longas duas semanas de sofrimento. Não foi fácil
e fiquei um pouco traumatizada.
Eu vi muita coisa estranha nessa
minha gravidez. Pessoas tendo reações das mais variadas e mesquinhas. Mas algo
que me espantou muito foi ver que o tipo de parto virou rixa entre mulheres.
Pois é. É algo que beira o inacreditável, mas existe. Em resumo, se você tem
parto normal você é foda; se foi cesárea você é fraca, inferior. Muitas que
tiveram parto normal não pensam duas vezes em apontar o dedo e classificar como
desnecessária a cirurgia da outra, como se formadas em medicina fossem. Como se
conhecessem a fundo as circunstâncias que as levaram até a cesárea. Como se
pudessem julgar alguém.
Por isso, deixo bem claro que a
minha opção pelo parto normal é, portanto, uma opção pela praticidade, pela
rapidez na recuperação, pra poder cuidar melhor do meu filho sem precisar que
façam tudo por mim e também por acreditar que o corpo volta ao que era antes
mais rápido. E não pra ser melhor que ninguém. Não vou me vangloriar com algo
que, em grande parte, depende de condições que fogem do controle da mulher. Não
faz o menor sentido, sabe?
Nesse mar de declarações insanas
que ouvi e li, nos últimos dias e às vésperas de um parto iminente, me apeguei
a uma das coisas mais sábias que me disseram, vindo de uma colega do trabalho: “Carol,
apenas peça pra Deus te dar o parto que seja melhor pra você e para o bebê”. E
é isso. Quero apenas ter o melhor parto pra mim e para o Bruno. Se for normal,
ótimo. Se for cesárea, ok. Não vou me crucificar por isso.
Minha irmã teve o terceiro filho
há dois meses e foi seu primeiro parto normal. Teve complicações graves e uma
hemorragia séria. E isso também me fez pensar que talvez eu estivesse levando
essa questão do parto à ferro e fogo demais. Queria de qualquer jeito. Mas caí
em mim a tempo.
A única coisa que realmente desejo
muito passar é o trabalho de parto. Quero sentir as dores, as contrações e
principalmente, sentir que ele quer nascer e que foi ele que escolheu o melhor
momento pra isso. Quero poder virar pro meu marido e falar “amor, chegou a
hora”. Ter orgulho de dizer que essa hora certa não foi escolhida por mim, por
conveniência. O chamado da natureza, sabe? Almejo muito isso.
Tenho certeza que vai dar tudo
certo.
Em poucos dias (ou em poucas horas!)
saberei o fim dessa história.
E, independente da maneira que
terminará, voltarei aqui pra contar de cabeça em pé.
Aninha

Nenhum comentário:
Postar um comentário