sábado, 29 de outubro de 2011

Sobre o parto


Já falei aqui que desejo muito o parto normal. A principal razão é querer fugir de um pós-operatório chato, dolorido e que vai me impedir de cuidar do Bruno como eu gostaria. Odeio depender dos outros, imagina quando se trata dos afazeres com seu primeiro filho. Além disso, me lembro com bastante clareza como foi horrível o pós-operatório da minha cirurgia das peitcholas, longas duas semanas de sofrimento. Não foi fácil e fiquei um pouco traumatizada.

Eu vi muita coisa estranha nessa minha gravidez. Pessoas tendo reações das mais variadas e mesquinhas. Mas algo que me espantou muito foi ver que o tipo de parto virou rixa entre mulheres. Pois é. É algo que beira o inacreditável, mas existe. Em resumo, se você tem parto normal você é foda; se foi cesárea você é fraca, inferior. Muitas que tiveram parto normal não pensam duas vezes em apontar o dedo e classificar como desnecessária a cirurgia da outra, como se formadas em medicina fossem. Como se conhecessem a fundo as circunstâncias que as levaram até a cesárea. Como se pudessem julgar alguém.

Por isso, deixo bem claro que a minha opção pelo parto normal é, portanto, uma opção pela praticidade, pela rapidez na recuperação, pra poder cuidar melhor do meu filho sem precisar que façam tudo por mim e também por acreditar que o corpo volta ao que era antes mais rápido. E não pra ser melhor que ninguém. Não vou me vangloriar com algo que, em grande parte, depende de condições que fogem do controle da mulher. Não faz o menor sentido, sabe?

Nesse mar de declarações insanas que ouvi e li, nos últimos dias e às vésperas de um parto iminente, me apeguei a uma das coisas mais sábias que me disseram, vindo de uma colega do trabalho: “Carol, apenas peça pra Deus te dar o parto que seja melhor pra você e para o bebê”. E é isso. Quero apenas ter o melhor parto pra mim e para o Bruno. Se for normal, ótimo. Se for cesárea, ok. Não vou me crucificar por isso.

Minha irmã teve o terceiro filho há dois meses e foi seu primeiro parto normal. Teve complicações graves e uma hemorragia séria. E isso também me fez pensar que talvez eu estivesse levando essa questão do parto à ferro e fogo demais. Queria de qualquer jeito. Mas caí em mim a tempo.

A única coisa que realmente desejo muito passar é o trabalho de parto. Quero sentir as dores, as contrações e principalmente, sentir que ele quer nascer e que foi ele que escolheu o melhor momento pra isso. Quero poder virar pro meu marido e falar “amor, chegou a hora”. Ter orgulho de dizer que essa hora certa não foi escolhida por mim, por conveniência. O chamado da natureza, sabe? Almejo muito isso.

Tenho certeza que vai dar tudo certo.
Em poucos dias (ou em poucas horas!) saberei o fim dessa história.
E, independente da maneira que terminará, voltarei aqui pra contar de cabeça em pé.


Aninha

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