Sintam o peso desse momento.
Sentiram?
Essa assinatura fez minha vida dar um giro de 360 graus (#galisteu).
Tá, digamos que não foi assim 'ó que mudança dramática', mas desde a deslizada da caneta a vida é igual, mas diferente.
Primeiro, a óbvia alteração do estado civil. Agora vou marcar o "X" no outro quadradinho, depois de uma vida inteira de X no solteiro(a).
Os três neurônios e meios que estavam condicionados a colocar o X no antigo quadrado terão que procurar o setor de RH para fazer um curso de reciclagem. Isso se não forem demitidos.
A segunda mudança é sobre o meu papel comportamental depois de me tornar uma mulher casada. É incrível o machismo que ainda reina nesse país sobre como uma 'SENHORA' deve se portar. Todo mundo controla meus passos agora. É um inferno.
Roupa curta? Não.
Sair com as amigas na calada da madrugada? Posso não.
Beber, ficar tri-louca, dançar em cima da mesa com a maquiagem borrada?? Sacrilééégio!!!
Passei a ser cobrada/julgada o tempo todo com a justificativa que agora sou uma senhora de respeito.
Gente, juro que eu não sabia que isso existia, apesar de já ter presenciado amigas descoladíssimas que depois de casadas não queriam mais sair sem os digníssimos. "Ah não, agora sou casada. É diferente". E para não perder a amizade eu preferia não dar minha opinião SINCERA sobre isso.
Mas, sério? DAONDE a galera tira que não posso ser exatamente o que eu era antes de assinar o papelim? De algum livro de condutas do século XV? Por ironia, a única pessoa que nunca falou nada nesse tom é o meu marido. Mas ele nem conta, porque ele é SEMPRE extraordinário. Normal.
Voltando para as mudanças, a mais radical de todas é sem dúvida a mudança de nome.
Primeiro pelo impacto no meu... orgulho.
Não é fácil para alguém que sempre bradou a independência e a luta armada contra a opressão masculina aceitar o sobrenome de um homem de uma hora pra outra. Me sinto uma Amélia dos anos 50, de vestido rodado e cabelo impecável, arrumando o jantar do marido enquanto ele ganha o sustento da família. Eu sei que é ridículo, mas é como me sinto e é involuntário. Tenho que fazer a minha cabeça entender que não há nada de vergonhoso em usar o sobrenome do marido. Estou trabalhando nesse projeto.
O segundo impacto é o burocrático. Mudar todos os documentos é uma atividade tão prazerosa quanto assistir uma palestra sobre direito tributário. Uma delícia. Só de pensar nas filas, nas senhas que são distribuídas às 8:00 e acabam as 08:02, nas taxas de reemissão de documentos com valores super justos (e nas filas do BRB para pagar as tais taxas), me dá vontade de tomar uma cartela inteira de Prozac.
Foda, viu?
Mas prometi a mim mesma que essa semana vou começar a providenciar a papelada.
De Certidão de Casamento em punho, meia dúzia de fotos 3X4 no bolso e vários reais na carteira, irei em busca dos novos documentos que incluírão um novo nome à minha existência.
Enquanto isso, o marido estará em casa. Provavelmento comendo amendoins e tomando cerveja no sofá. Ou pizza e Coca. Seu RG, CNH, Passaporte, CPF e Título de Eleitor permanecerão intocados.
O mundo é injusto.
Ana Carolina de Carvalho.. Textor
PS: Tá, o sobrenome é chique. EU SEI
PS2: Adoreiiiiii o comentário da Tatá no post do Google Analytcs! Chorei lavanda Giovanna Baby de emoção (#Katylene)
terça-feira, 10 de novembro de 2009
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6 comentários:
AHAHAUHAUHAUH eu adorei o sobrenome Caira! E quanto ao lance de sair, ainda temos os almoços! Não???
Aninha adorei seu post, sabe pq? Pq já passei por isso e é mt chato, mto burocrático, mas vale a pena se o marido for td de bom como o meu (e espero q o seu tbm), mas já se passaram 10 anos e eu ñ me arrependo... e q sobrenome chique, ta podendo!!!!
Sobre meu coment é td de verdade e vc se supera a cada post....
Bjs!!!!
ana, vi no 2beauty que você comprou um curvex do shu por 9 dólares! OOOONDE, nêga?
hehe.
beijos.
É bom que você já me ouviu soletrando várias (todas) vezes nos lugares que pedem o nome completo.
"Têéchistêóerre, TÉKSTOR, não é TESTÔR, senhora..."
meu marido nao me deixa nem ter facebook...
ana, vi no 2beauty que você comprou um curvex do shu por 9 dólares! OOOONDE, nêga?
hehe.
beijos.
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