segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais...

É, agora é definitivo. Me mudei. Saí de casa. Sensação muito estranha... arrumando as coisas, esvaziando meu quarto... o mesmo quarto desde os meus 13 anos! Sempre pensei que nunca tinha me apegado àquela casa como me apeguei a casa onde passei minha infância... sempre pensei que odiava aquela casa... mas não, foi difícil sair de lá. Com tanta bagunça, correria, preocupações sobre a mudança, deu pra camuflar o que eu estava sentindo. Fingi estar tudo bem. Desviei o olhar do meu pai. Eu sei que eles estão tristes, assim como eu. Mas tem que ser assim, não é mesmo? Um dia nós saímos, um dia vamos embora. Isso vai acontecer comigo no futuro, meus filhos vão embora. Mas que foi difícil, foi.
Hoje passando lá na hora do almoço, foi autómatico: fui direto para meu quarto guardar as coisas. Entrei e tudo vazio. "Ah, claro. Me mudei". Tive que deixar tudo na sala mesmo, como as visitas fazem.
Ainda restam algumas coisas no ex-quarto: alguns bichinhos de pelúcia, cada um com sua história e alguns bem velhos que me remetem aos tempos de criança... algumas besteiras que minha pequena casa nova não tem condições de guardar... e muitas, muitas lembranças. Neste momento, de quarto vazio, realmente parecem que as paredes têm ouvido. Mais que isso, parece que elas falam comigo. Sabem de tudo que aconteceu ali, das coisas boas, felizes, tristes, das brigas. Elas me conhecem bem. E agora parecem me olhar tristes... "Você nos abandonou".
Agora vou acordar e não vai ter mais o café pronto que meu pai faz e sempre fez religiosamente todos os dias da semana, às 7:00h;
Agora não mais vou acordar com os latidos da Suzy de madrugada;
Agora não mais vou bater na porta do quarto do meu irmão e tentar abraçá-lo enquanto ele tenta correr de mim;
Agora não mais vou morrer de rir da minha mãe conversando com a Suzy de manhã como se ela fosse gente;
Agora não mais vou ao quintal de pijama nem ligando se estão me vendo vestida assim ou não;
Agora não mais vou ouvir o barulhão que a chuva faz no jardim do inverno e ficar com medo da água inundar a garagem;
Agora não mais vou ver os gatinhos que nascem no telhado e ficam fazendo bagunça no forro do banheiro;
Agora não mais vou parar para ler um livro na varanda e ver como o jardim da minha mãe está bonito;
Agora não mais... tanta coisa.
Não só o quarto, não só a casa, mas a rua toda. Foram muitos anos, foi minha adolescência. Lá eu aprontei tudo que uma adolescente deve aprontar. Lá eu fiz amigos verdadeiros e desafetos também. Levei fama de louca, de galinha, de CDF e de nervosinha. Andei de patins, joguei bete, tomei meus primeiros porres.
Tantos cachorros e gatos que fugiram ou sumiram de casa e eu ficava andando pela vizinhança chorando, tentando achá-los... Ah, tanta coisa. Tanta vida. Estão ficando para trás e não mais verão o meu sorriso diário. É preciso sempre olhar pra frente e não viver do passado. Mas hoje me deixem sentir (e curtir) toda essa melancolia e saudade do tempo que não volta mais. Deixem tá, só hoje.
Aninha

5 comentários:

Alfred disse...

Buá...

:'(

Chuif...

Anônimo disse...

Imagino o q vc tá sentindo bb... as coisas mudam, mas mudarão pra melhor, vc vai ver! to contigo e num abro!!! sei q vc vai tirar d letra!! afinal... VC TEM A MANHA! TI AMUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU

Anônimo disse...

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa morrendo de chorar, praticamente soluçando :´)

Saudade é um trem difícil. Mas dizem que recordar é viver né!!
Boa Sorte na nova fase...

Jamille Paz disse...

O chato das escolhas é que são sempre boas e ruins! Mas a gente cresce! E temos que seguir nosso caminho... E sentir saudade é bom demais!

Anônimo disse...

Naum se preocupe! Vc naum está deixando as coisas q aconteceram p/ trás^^- nós sempre carregamos conosco!Nossa história!
é...eu vivia nakela rua! meu primeiro porre foi com vc!XD boas lembranças...
até o open cafofo ^^-
bjus